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Quando você assiste a algum filme e gosta muito, o que você quer é contar pra todos os seus amigos sobre ele, talvez na esperança de que eles tenham a mesma sensação que você. Diante das novas tecnologias a que temos acesso, a web 2.0 nos possibilita estreitar relações e passar a ter um vínculo de troca que vai além de nossos amigos mais íntimos. Há muitos anos, talvez fosse só um sonho alcançar lugares onde nunca se esteve. Talvez isso fosse vantagem da música, dos livros, mas com o advento de novas plataformas, a formação de nichos que permitem o compartilhamento de experiências é decididamente facilitado. A proposta do casadinha é dividir impressões culturais, incitar curiosidades, partilhar de hábitos. Indicaremos sempre um filme, uma música e uma comida ou bebida que avaliamos formarem uma bela parceria. Em outras palavras: Um filme, uma música e uma gordice! Desenvolvimento de Morena Dias , Sarah Mendes e Lívia Vasconcelos.
Todo mundo tem aqueles atores, diretores, roteiristas e afins que são os preferidos, não é? Aqueles que, querendo ou não, acabam angariando uma boa parcela do público para as telas de cinema, ou consumo de dvds. Para que você se situe logo de cara sobre Simplesmente complicado (It’s Complicated), além de reunir três nomes de peso que compartilham de um público cativo, o que você precisa saber é que esse filme é uma comédia romântica de Nancy Meyers. Ok, não se situou muito? Vou refrescar sua memória: a garotinha está envolvida de alguma forma na realização dos filmes de comédia que são conhecidos por serem os queridinhos do ramo, nos últimos trinta anos. Presente de Grego, Operação Cupido, O Pai da Noiva, Alguém Tem Que Ceder, O Amor Não Tira Férias, Do Que As Mulheres Gostam. Você já ouviu falar em pelo menos uma dessas comédias, e aposto que gostou.  
Dessa vez, somos apresentados a Jane (Meryl Streep). Ela é uma mulher independente, divorciada e muito bem resolvida com isso. Ele tem o próprio negócio, criou os filhos, que agora estão crescidos, e leva a vida sem grandes preocupações. Ela foi casada e esta separada há 10 anos  de Jake (Alec Baldwin), um advogado bem sucedido, muito galanteador, que refez a vida e está casado com  Agness (Lake Bell), bem mais jovem que ele.
Até agora, notou algo muito diferente dos clichês por aí? Homem se separa de mulher, casa-se com outra com metade da idade dela, a ex fica naquela vidinha morna, e todos vivem na diplomacia familiar.  É aí onde mora a pitadinha que faz de I’ts complicated um filme que fala de mais do mesmo sem ser tão mesmo assim. Na verdade, a atual obsessão de Mayers é emplacar comédias românticas que provem que o amor não tem idade. Até aí tudo bem, a película anterior, Alguém tem que ceder, cumpriu o seu papel, mas isso só ajuda a formar um desafio maior ainda para Simplesmente Complicado.
O subtítulo do filme em inglês avisa: ‘Divorced with benefits’, fazendo uma brincadeira com a famosa expressão ‘friends with benefits’, amigos com benefícios, a conhecida amizade colorida. Eis que em uma bela noite em Nova Iorque, a família está reunida para a formatura do filho do casal, drink vai, drink vem, a velha familiaridade dá um empurrãozinho para que Jane passe de ex- traída para atual amante de seu ex- marido. Olha, eu sei, tá meio complicado, não é mesmo?
Na verdade, complicado vai ficar agora. Jane conhece o arquiteto Adam (Steve Martin), também divorciado, e como você já deve imaginar, o bom moço complementa esse triangulo amoroso da maturidade. Depois de se situar em seu momento um tanto pitoresco, Jane precisa lidar com a virada de ponta cabeça a que sua vida foi submetida. O que temos aqui é quase que uma gigantesca terapia de casal. Sim. Terapia de casal. Não é esse o grande mal dos últimos tempos? As pessoas conversam sobre seus relacionamentos mais do que os vivem, e pensam sobre seus sentimentos mais do que os dedicam. 
Jane está enroscada num embolo do qual ela se livrou há 10 anos, e está gostando. Mas ela também gosta do bom moço que apareceu em sua vida. Chega a ser um tanto cruel, ter de escolher entre o canalha charmoso, Alec Baldwin, e o fofo um tanto entediante, mas seguro, Steve Martin. 
O filme não é pretensioso, vale salientar. Não pretende discutir sobre os grandes males da humanidade, ou contribuir para solucionar os problemas de relacionamentos das pessoas. O que temos aqui é entretenimento. O que termos aqui é uma comédia elegante, que aborda o tema a que se propôs com cuidado, com leveza, e de uma forma bem natural.  
O objetivo final de tudo é dar boas risadas com situações engraçadas. É por isso que indico o filme, além de um elenco que garante boas risadas, o filme é leve, perfeito pra um domingo à noite, ou feriado bem despretensioso. Eu não vou dizer quem é o escolhido de Jane no final das contas, você precisa assistir, mas eu espero que goste das horas de descontração. 
Como Jane tem uma padaria, não existe a possibilidade de não morrer de vontade de comer aquelas delícias todas. Principalmente na cena em que a parte solteira do triângulo amoroso está de larica, sim, de larica, e prepara coisas deliciosas pra comer no meio da madrugada. Mas eu realmente acho que esse filme tem a ver com cookies. Prepare-se para boas risadas com seus biscoitinhos de lado.

E como Jane é uma menina tão rebelde, achei que seria engraçado dedicar ‘rebel, rebel’, que está até na trilha do filme. Aproveitem!
 

Rebel, rebel, you’ve torn your dress
Rebel, rebel, your face is a mess 
Rebel, rebel, how could they know?
Hot tramp, I love you so         


Por: Lívia Vasconcelos

Esse post é especialmente para Augusta Teixeira, que fez o pedido do filme! Obrigada!  

Todo mundo tem aqueles atores, diretores, roteiristas e afins que são os preferidos, não é? Aqueles que, querendo ou não, acabam angariando uma boa parcela do público para as telas de cinema, ou consumo de dvds. Para que você se situe logo de cara sobre Simplesmente complicado (It’s Complicated), além de reunir três nomes de peso que compartilham de um público cativo, o que você precisa saber é que esse filme é uma comédia romântica de Nancy Meyers. Ok, não se situou muito? Vou refrescar sua memória: a garotinha está envolvida de alguma forma na realização dos filmes de comédia que são conhecidos por serem os queridinhos do ramo, nos últimos trinta anos. Presente de Grego, Operação Cupido, O Pai da Noiva, Alguém Tem Que Ceder, O Amor Não Tira Férias, Do Que As Mulheres Gostam. Você já ouviu falar em pelo menos uma dessas comédias, e aposto que gostou.  

Dessa vez, somos apresentados a Jane (Meryl Streep). Ela é uma mulher independente, divorciada e muito bem resolvida com isso. Ele tem o próprio negócio, criou os filhos, que agora estão crescidos, e leva a vida sem grandes preocupações. Ela foi casada e esta separada há 10 anos  de Jake (Alec Baldwin), um advogado bem sucedido, muito galanteador, que refez a vida e está casado com  Agness (Lake Bell), bem mais jovem que ele.

Até agora, notou algo muito diferente dos clichês por aí? Homem se separa de mulher, casa-se com outra com metade da idade dela, a ex fica naquela vidinha morna, e todos vivem na diplomacia familiar.  É aí onde mora a pitadinha que faz de I’ts complicated um filme que fala de mais do mesmo sem ser tão mesmo assim. Na verdade, a atual obsessão de Mayers é emplacar comédias românticas que provem que o amor não tem idade. Até aí tudo bem, a película anterior, Alguém tem que ceder, cumpriu o seu papel, mas isso só ajuda a formar um desafio maior ainda para Simplesmente Complicado.

O subtítulo do filme em inglês avisa: ‘Divorced with benefits’, fazendo uma brincadeira com a famosa expressão ‘friends with benefits’, amigos com benefícios, a conhecida amizade colorida. Eis que em uma bela noite em Nova Iorque, a família está reunida para a formatura do filho do casal, drink vai, drink vem, a velha familiaridade dá um empurrãozinho para que Jane passe de ex- traída para atual amante de seu ex- marido. Olha, eu sei, tá meio complicado, não é mesmo?

Na verdade, complicado vai ficar agora. Jane conhece o arquiteto Adam (Steve Martin), também divorciado, e como você já deve imaginar, o bom moço complementa esse triangulo amoroso da maturidade. Depois de se situar em seu momento um tanto pitoresco, Jane precisa lidar com a virada de ponta cabeça a que sua vida foi submetida. O que temos aqui é quase que uma gigantesca terapia de casal. Sim. Terapia de casal. Não é esse o grande mal dos últimos tempos? As pessoas conversam sobre seus relacionamentos mais do que os vivem, e pensam sobre seus sentimentos mais do que os dedicam.

Jane está enroscada num embolo do qual ela se livrou há 10 anos, e está gostando. Mas ela também gosta do bom moço que apareceu em sua vida. Chega a ser um tanto cruel, ter de escolher entre o canalha charmoso, Alec Baldwin, e o fofo um tanto entediante, mas seguro, Steve Martin.

O filme não é pretensioso, vale salientar. Não pretende discutir sobre os grandes males da humanidade, ou contribuir para solucionar os problemas de relacionamentos das pessoas. O que temos aqui é entretenimento. O que termos aqui é uma comédia elegante, que aborda o tema a que se propôs com cuidado, com leveza, e de uma forma bem natural.  

O objetivo final de tudo é dar boas risadas com situações engraçadas. É por isso que indico o filme, além de um elenco que garante boas risadas, o filme é leve, perfeito pra um domingo à noite, ou feriado bem despretensioso. Eu não vou dizer quem é o escolhido de Jane no final das contas, você precisa assistir, mas eu espero que goste das horas de descontração. 

Como Jane tem uma padaria, não existe a possibilidade de não morrer de vontade de comer aquelas delícias todas. Principalmente na cena em que a parte solteira do triângulo amoroso está de larica, sim, de larica, e prepara coisas deliciosas pra comer no meio da madrugada. Mas eu realmente acho que esse filme tem a ver com cookies. Prepare-se para boas risadas com seus biscoitinhos de lado.

E como Jane é uma menina tão rebelde, achei que seria engraçado dedicar ‘rebel, rebel’, que está até na trilha do filme. Aproveitem!

 

Rebel, rebel, you’ve torn your dress

Rebel, rebel, your face is a mess

Rebel, rebel, how could they know?

Hot tramp, I love you so         

Por: Lívia Vasconcelos

Esse post é especialmente para Augusta Teixeira, que fez o pedido do filme! Obrigada!  


3 years ago
1 note | Comment
Um clássico não é clássico por acaso, certo? Em 1971, John Travolta e Olivia Newton-John protagonizaram um musical que não marcou somente suas carreiras, mas marcou a história do cinema.
Grease – nos tempos da brilhantina conta uma história de amor de verão. Um amor de verão que vai além.  Sandy e Danny passaram as férias juntos, mas juravam que nunca mais se veriam. Só que o destino muda o rumo dessa história e os dois acabam estudando na mesma escola.  Ela é a garota meia, ele é o bad boy. E, para manter a imagem ele a ignora um pouco; no decorrer do filme eles tentam fazer esse relacionamento dar certo.
O romance deste casal é aquele velho clichê, mas que serve de pano de fundo para retratar o comportamento dos jovens da época. Aborda temáticas que sempre rondam a juventude, seja de 1971 ou de 2011; como gravidez, ciúme, aulas… O filme se torna um documento da época.
Por ser um musical, algumas músicas combinam perfeitamente com esta obra, porém, o destaque vai para a música da cena final. Sandy se transforma para surpreender o amado. E, faz todos os telespectadores saírem cantando “You’re The One That I Want”.
Quando se pensa em Grease, se pensa em alegria e amigos. É um filme colorido e que merece ser assistido em uma sexta-feira à tarde, enquanto se toma litros de milkshake.



 You’re the one that I want.(you are the one i want), o,o, oo, honey.The one that I want.(you are the one i want), o,o,oo, honey.The one that I want

           You’re the one that I want - Trilha sonora original

Por: Sarah Mendes

Um clássico não é clássico por acaso, certo? Em 1971, John Travolta e Olivia Newton-John protagonizaram um musical que não marcou somente suas carreiras, mas marcou a história do cinema.

Grease – nos tempos da brilhantina conta uma história de amor de verão. Um amor de verão que vai além.  Sandy e Danny passaram as férias juntos, mas juravam que nunca mais se veriam. Só que o destino muda o rumo dessa história e os dois acabam estudando na mesma escola.  Ela é a garota meia, ele é o bad boy. E, para manter a imagem ele a ignora um pouco; no decorrer do filme eles tentam fazer esse relacionamento dar certo.

O romance deste casal é aquele velho clichê, mas que serve de pano de fundo para retratar o comportamento dos jovens da época. Aborda temáticas que sempre rondam a juventude, seja de 1971 ou de 2011; como gravidez, ciúme, aulas… O filme se torna um documento da época.

Por ser um musical, algumas músicas combinam perfeitamente com esta obra, porém, o destaque vai para a música da cena final. Sandy se transforma para surpreender o amado. E, faz todos os telespectadores saírem cantando “You’re The One That I Want”.

Quando se pensa em Grease, se pensa em alegria e amigos. É um filme colorido e que merece ser assistido em uma sexta-feira à tarde, enquanto se toma litros de milkshake.


 You’re the one that I want.(you are the one i want), o,o, oo, honey.The one that I want.(you are the one i want), o,o,oo, honey.The one that I want

           You’re the one that I want - Trilha sonora original

Por: Sarah Mendes


3 years ago
0 notes | Comment
Eu não sou uma profunda conhecedora de filmes franceses, posso contar nos dedos de uma mão a quantidade de filmes a que assisti vindos da cidade luz. Portanto, não tomem essa critica como a verdade universal. A minha impressão muito superficial de filmes franceses é de que existe quase que uma ironia no ar. Uma linha muito tênue entre a completa caricatura e o perfeitamente normal. Isso muito me agrada.
Finalmente uma dica fora das Américas, Amélie Poulain é a prova de que cinema europeu não é uma coisa chata e pretensiosa. Tomarei a liberdade de dizer que é um filme diferente de tudo o que você já viu. Como o próprio nome diz, Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, ou O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), uma produção de Jean-Pierre Jeunet, é um delicioso espetáculo imagético, repleta de abordagens esquisitíssimas e bem humoradas de seus integrantes.
Amélie é interpretada pela bela Audrey Tautou. Desde criança, Poulain teve uma vida um tanto diferente. É filha de pais excêntricos: Raphaél Poulain, médico aposentado, não gosta que olhem de forma debochada para suas sandálias; e Amandine Poulain, que gosta de dar brilho ao assoalho com suas pantufas. A menina foi diagnosticada com uma anomalia cardíaca, quando na verdade só ficava emocionada com a intimidade extraordinária do exame mensal, realizado por seu pai.
A partir daí, seus pais decidem que ela receberia educação em casa, o que afastou Amélie do convívio com outras crianças. A garota se refugia em um mundo próprio, o da imaginação, onde os vinis são feitos como crepes e a esposa do vizinho em coma está apenas dormindo o sono de toda uma vida para viver o resto dela acordada para sempre. Como uma criança que viveu no voyeurismo, sua vida adulta não seria diferente. Garçonete solitária do café Deux Moulins, no bairro de Montmartre, Amélie não se incomoda propriamente em não ter uma vida de romances tórridos. Não que ela não tenha tentado, mas não funcionou muito bem. Então, ela resolveu se entregar aos prazeres pequenos da vida, como enfiar os dedos em um saco cheio de grãos no mercado da cidade.
Em um determinado dia, ela se distrai com a Tv, que relata a morte da princesa Diana, no ano de 1997. A tampa de seu perfume cai no chão, ela acaba encontrando um azulejo falso no chão de seu banheiro. Isso a leva a uma caixinha escondida dentro da parede. Dentro da caixa, um tesouro de um menino que viveu na mesma casa que ela há anos: bonecos, figurinhas, fotos de jogadores. Como o próprio narrador relata, só o primeiro homem a adentrar a pirâmide de Tutancâmon entenderia como Amélie se sentiu ao encontrar o segredo do menino.
Amélie inicia a sua caçada ao dono da caixa misteriosa, e experimentando a teoria do caos que a fez encontrar o objeto, ela descobre que pode afetar de forma positiva a vida de todos à sua volta. Enquanto se distrai e se diverte interferindo na vida de todos, Amélie esquece um pouco que seria agradável que houvesse alguém como ela, afetando sua vida. Eis que aparece Nino (Mathieu Kassovitz), balconista de uma sex shop e, nas horas vagas, colecionador de fotos tiradas numa cabine automática do metrô e descartadas por seus donos. Eis que surge um par romântico para a já desacreditada senhorita Poulain. Confira seu coração vermelho sangue pulsante batendo no peito. 
Esteticamente falando, o filme é um prato cheio para os amantes da sétima arte, que reparam nos mínimos detalhes. ‘O Fabuloso…’ segue uma narrativa de desenho animado e aborda assuntos das formais mais inusitadas, como ressaltar características esdrúxulas de cada personagem: A dona do café onde Amélie trabalha é manca, mas nunca derrubou uma xícara de café, e a atendente hipocondríaca detesta a frase ‘Fruto do vosso ventre’. Predominantemente um filme verde, amarelo, vermelho e azul, essa constância acaba por afirmar a identidade do filme.
Considerado um marco no cinema francês, Amélie Poulain é um filme Cult que é uma aula de estética, humor e dinamismo. Do superlativo absoluto sintético, com todas as letras, é um filme divertidíssimo que não deixa de apresentar sua moral ao final. Pode confiar, se você procura uma pílula da felicidade, nem que seja por algumas horinhas, Amélie te garante um tanto de luz com essa obra de arte. Antes de mais dicas, faça um favor para você mesmo e assista ao filme com seu som original. Nada mais romântico e cativante do que escutar a cadência do belo francês.
Como eu já falei das cores do filme, o vermelho é uma cor muito marcante, sempre que eu penso nele, penso em morangos, penso em chantily. Sente-se no sofá e prepare-se pra ser feliz se entupindo de morangos. Eu não poderia indicar outra coisa que não a valsa da querida Amélie…veja bem, poderia indicar alguma cantora francesa, mas em algumas vezes palavras são dispensáveis, e a valsa de Amelie é uma coisa tão linda…merece ser ouvida e apreciada!

♫♫♫♫♫♫♫♫
La Valse d’Amelie
Por: Lívia Vasconcelos

Eu não sou uma profunda conhecedora de filmes franceses, posso contar nos dedos de uma mão a quantidade de filmes a que assisti vindos da cidade luz. Portanto, não tomem essa critica como a verdade universal. A minha impressão muito superficial de filmes franceses é de que existe quase que uma ironia no ar. Uma linha muito tênue entre a completa caricatura e o perfeitamente normal. Isso muito me agrada.

Finalmente uma dica fora das Américas, Amélie Poulain é a prova de que cinema europeu não é uma coisa chata e pretensiosa. Tomarei a liberdade de dizer que é um filme diferente de tudo o que você já viu. Como o próprio nome diz, Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, ou O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), uma produção de Jean-Pierre Jeunet, é um delicioso espetáculo imagético, repleta de abordagens esquisitíssimas e bem humoradas de seus integrantes.

Amélie é interpretada pela bela Audrey Tautou. Desde criança, Poulain teve uma vida um tanto diferente. É filha de pais excêntricos: Raphaél Poulain, médico aposentado, não gosta que olhem de forma debochada para suas sandálias; e Amandine Poulain, que gosta de dar brilho ao assoalho com suas pantufas. A menina foi diagnosticada com uma anomalia cardíaca, quando na verdade só ficava emocionada com a intimidade extraordinária do exame mensal, realizado por seu pai.

A partir daí, seus pais decidem que ela receberia educação em casa, o que afastou Amélie do convívio com outras crianças. A garota se refugia em um mundo próprio, o da imaginação, onde os vinis são feitos como crepes e a esposa do vizinho em coma está apenas dormindo o sono de toda uma vida para viver o resto dela acordada para sempre. Como uma criança que viveu no voyeurismo, sua vida adulta não seria diferente. Garçonete solitária do café Deux Moulins, no bairro de Montmartre, Amélie não se incomoda propriamente em não ter uma vida de romances tórridos. Não que ela não tenha tentado, mas não funcionou muito bem. Então, ela resolveu se entregar aos prazeres pequenos da vida, como enfiar os dedos em um saco cheio de grãos no mercado da cidade.

Em um determinado dia, ela se distrai com a Tv, que relata a morte da princesa Diana, no ano de 1997. A tampa de seu perfume cai no chão, ela acaba encontrando um azulejo falso no chão de seu banheiro. Isso a leva a uma caixinha escondida dentro da parede. Dentro da caixa, um tesouro de um menino que viveu na mesma casa que ela há anos: bonecos, figurinhas, fotos de jogadores. Como o próprio narrador relata, só o primeiro homem a adentrar a pirâmide de Tutancâmon entenderia como Amélie se sentiu ao encontrar o segredo do menino.

Amélie inicia a sua caçada ao dono da caixa misteriosa, e experimentando a teoria do caos que a fez encontrar o objeto, ela descobre que pode afetar de forma positiva a vida de todos à sua volta. Enquanto se distrai e se diverte interferindo na vida de todos, Amélie esquece um pouco que seria agradável que houvesse alguém como ela, afetando sua vida. Eis que aparece Nino (Mathieu Kassovitz), balconista de uma sex shop e, nas horas vagas, colecionador de fotos tiradas numa cabine automática do metrô e descartadas por seus donos. Eis que surge um par romântico para a já desacreditada senhorita Poulain. Confira seu coração vermelho sangue pulsante batendo no peito.

Esteticamente falando, o filme é um prato cheio para os amantes da sétima arte, que reparam nos mínimos detalhes. ‘O Fabuloso…’ segue uma narrativa de desenho animado e aborda assuntos das formais mais inusitadas, como ressaltar características esdrúxulas de cada personagem: A dona do café onde Amélie trabalha é manca, mas nunca derrubou uma xícara de café, e a atendente hipocondríaca detesta a frase ‘Fruto do vosso ventre’. Predominantemente um filme verde, amarelo, vermelho e azul, essa constância acaba por afirmar a identidade do filme.

Considerado um marco no cinema francês, Amélie Poulain é um filme Cult que é uma aula de estética, humor e dinamismo. Do superlativo absoluto sintético, com todas as letras, é um filme divertidíssimo que não deixa de apresentar sua moral ao final. Pode confiar, se você procura uma pílula da felicidade, nem que seja por algumas horinhas, Amélie te garante um tanto de luz com essa obra de arte. Antes de mais dicas, faça um favor para você mesmo e assista ao filme com seu som original. Nada mais romântico e cativante do que escutar a cadência do belo francês.

Como eu já falei das cores do filme, o vermelho é uma cor muito marcante, sempre que eu penso nele, penso em morangos, penso em chantily. Sente-se no sofá e prepare-se pra ser feliz se entupindo de morangos. Eu não poderia indicar outra coisa que não a valsa da querida Amélie…veja bem, poderia indicar alguma cantora francesa, mas em algumas vezes palavras são dispensáveis, e a valsa de Amelie é uma coisa tão linda…merece ser ouvida e apreciada!

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La Valse d’Amelie

Por: Lívia Vasconcelos

3 years ago
12 notes | Comment
Já se sentiu como se tudo estivesse dando errado? É assim que Drew (Orlando Bloom) está se sentindo no começo de Tudo Acontece em Elizabethtown. A sua vida foge aos seus planos e tudo fica descontrolado. Ele tem um emprego invejável em uma grande empresa, mas seu grande projeto que revolucionaria o mundo dos tênis acaba se revelando um completo fiasco.
Para completar, seu pai morre, e ele é o escolhido da família para ir até Michigan, cidade natal de seu pai, para tratar dos assuntos do velório. Desempregado, com o orgulho ferido e ignorado pelo seu último envolvimento amoroso, Drew embarca nessa viagem que se mostra cheia de surpresas desde o avião. 
Claire (Kirsten Dunst) é aeromoça e está no vôo de Drew. Digamos que a moça é um elefante entrando com tudo num supermercado. O supermercado é a vida de Drew. Pouco a pouco, da maneira inusitada, eles desenvolvem uma relação capaz de mostrar novas formas de enxergar e se relacionar com a vida. 
Aqui vai mais um filme que fala de amor, mas não só do amor romântico. Destaca-se o amor pelas coisas simples, pelas novas diretrizes… é vida que transborda. Com um clima intimista e um certo retrato da família de interior norte americana, você vai se deparar com algumas lições. Com o fracasso, com a tristeza, a confusão, mas também com a paixão, com o amor que surpreende e surge de onde menos se espera.
Alguém já disse que um filme precisa ser musical para que a música seja um dos seus personagens? Espero que não, pois Elizabethtown combina magicamente suas cenas com suas músicas. Tudo é perfeitamente casado. Destaque para a cena em que Drew viaja acompanhado apenas de músicas, guiado pelo mapa de Claire.
Carregado de frases marcantes, o filme dirigido por Cameron Crowe é capaz de te deixar com um sorriso no rosto e o coração apertado e cheio de vontade de sair. E é altamente indicado a mulheres que sofrem muito com a TPM.
Compre um número alto de casquinhas de sorvete e descubra se você é uma pessoa substituta. Não entendeu? Segure suas casquinhas e assista ao filme, você vai entender! E, escute, escute e escute Elton John - My Fathers Gun.


I’d like to know where the riverboat sails tonightTo New Orleans well that’s just fine alright`Cause there’s fighting there and the company needs menSo slip us a rope and sail on round the bend
Elton John - My father’s gun

Por: Sarah Mendes e Lívia Vasconcelos

Já se sentiu como se tudo estivesse dando errado? É assim que Drew (Orlando Bloom) está se sentindo no começo de Tudo Acontece em Elizabethtown. A sua vida foge aos seus planos e tudo fica descontrolado. Ele tem um emprego invejável em uma grande empresa, mas seu grande projeto que revolucionaria o mundo dos tênis acaba se revelando um completo fiasco.

Para completar, seu pai morre, e ele é o escolhido da família para ir até Michigan, cidade natal de seu pai, para tratar dos assuntos do velório. Desempregado, com o orgulho ferido e ignorado pelo seu último envolvimento amoroso, Drew embarca nessa viagem que se mostra cheia de surpresas desde o avião.

Claire (Kirsten Dunst) é aeromoça e está no vôo de Drew. Digamos que a moça é um elefante entrando com tudo num supermercado. O supermercado é a vida de Drew. Pouco a pouco, da maneira inusitada, eles desenvolvem uma relação capaz de mostrar novas formas de enxergar e se relacionar com a vida.

Aqui vai mais um filme que fala de amor, mas não só do amor romântico. Destaca-se o amor pelas coisas simples, pelas novas diretrizes… é vida que transborda. Com um clima intimista e um certo retrato da família de interior norte americana, você vai se deparar com algumas lições. Com o fracasso, com a tristeza, a confusão, mas também com a paixão, com o amor que surpreende e surge de onde menos se espera.

Alguém já disse que um filme precisa ser musical para que a música seja um dos seus personagens? Espero que não, pois Elizabethtown combina magicamente suas cenas com suas músicas. Tudo é perfeitamente casado. Destaque para a cena em que Drew viaja acompanhado apenas de músicas, guiado pelo mapa de Claire.

Carregado de frases marcantes, o filme dirigido por Cameron Crowe é capaz de te deixar com um sorriso no rosto e o coração apertado e cheio de vontade de sair. E é altamente indicado a mulheres que sofrem muito com a TPM.

Compre um número alto de casquinhas de sorvete e descubra se você é uma pessoa substituta. Não entendeu? Segure suas casquinhas e assista ao filme, você vai entender! E, escute, escute e escute Elton John - My Fathers Gun.

I’d like to know where the riverboat sails tonight
To New Orleans well that’s just fine alright
`Cause there’s fighting there and the company needs men
So slip us a rope and sail on round the bend

Elton John - My father’s gun

Por: Sarah Mendes e Lívia Vasconcelos


3 years ago
3 notes | Comment
Garden State, ou Hora de Voltar (2004), é um filme escrito, dirigido e interpretado por Zach Braff (O J.D de Scrubs). Ele interpreta Andrew Largeman, um jovem ator fracassado que trabalha em um restaurante e vive completamente dopado desde o acidente que deixou sua mãe paraplégica, quando ele ainda era uma criança. O pai dele, psiquiatra, o viciou em lítio e medicamentos pesados, com o pretexto de ajudar o garoto a passar pela fase difícil. 
Com a morte de sua mãe, Andrew se vê na obrigação de voltar para sua cidade natal, o que é um fardo para ele, que não tem boas lembranças da vida por lá. Ele decide parar de tomar os remédios que seu pai o receitou metade de uma vida e reencontra os amigos dos tempos de infância. Alguns estão melhores que outros, e o filme conta com a participação pequena de Jim Parsons, o Sheldon de ‘The big bang theory’. Ele interpreta o namorado mais novo da mãe de um dos melhores amigos de Andrew.
No meio de toda essa mistura de sentimentos nunca antes experimentados, Large encontra alguém que muda a sua passagem pela cidade de forma decisiva. Sam, interpretada por Natalie Portman, é uma mentirosa compulsiva. Espontânea e encantadora, ela é o oposto do rapaz travado e recluso que Andrew se tornou. No meio daqueles amigos loucos com vidas estranhas, Sam é a garota nada usual, que tem um cemitério particular com seus bichinhos de estimação desde a infância e faz caretas em seu quarto para se sentir menos ordinária. Ela vai ajudar Andrew a encarar a realidade.
Em apenas quatro dias, eles vivem essa relação de forma intensa e se permitem redescobrir quem realmente são, com todos os seus medos e desejos. Hora de voltar é uma chance de recomeço, uma promessa, uma linda história de como alguém pode encontrar a felicidade partindo do pior que já se viveu. Apesar de ser ‘a superação’ de uma vida, não chamaria o filme de comum, e é por isso que ele merece um parecer por aqui. A sua trilha musical é incrivelmente linda, daquelas que se apaixona e carrega no dispositivo móvel aonde quer que se vá.
Garden state é aquele filme que você vai indicar pra todos os seus amigos. Alguns vão sentir felicidade, outros irão chorar, só podemos dizer que todos vão torcer por esse anti-herói cheio de carisma, de um jeito muito particular. Ao terminar de assistir o filme, você só vai estar com uma coisa na cabeça: The shins, e é por isso que a dica musical não poderia ser outra. Agarre umas frutas gostosas e seja feliz.


And if you took to me
Like a gull takes to the wind,Well, I’d’ve jumped  from my tree
And I’d’ve danced like the king of the eyesores
And the rest  of our lives would’ve fared well 
The Shins - New Slang

Por Lívia Vasconcelos

Garden State, ou Hora de Voltar (2004), é um filme escrito, dirigido e interpretado por Zach Braff (O J.D de Scrubs). Ele interpreta Andrew Largeman, um jovem ator fracassado que trabalha em um restaurante e vive completamente dopado desde o acidente que deixou sua mãe paraplégica, quando ele ainda era uma criança. O pai dele, psiquiatra, o viciou em lítio e medicamentos pesados, com o pretexto de ajudar o garoto a passar pela fase difícil.

Com a morte de sua mãe, Andrew se vê na obrigação de voltar para sua cidade natal, o que é um fardo para ele, que não tem boas lembranças da vida por lá. Ele decide parar de tomar os remédios que seu pai o receitou metade de uma vida e reencontra os amigos dos tempos de infância. Alguns estão melhores que outros, e o filme conta com a participação pequena de Jim Parsons, o Sheldon de ‘The big bang theory’. Ele interpreta o namorado mais novo da mãe de um dos melhores amigos de Andrew.

No meio de toda essa mistura de sentimentos nunca antes experimentados, Large encontra alguém que muda a sua passagem pela cidade de forma decisiva. Sam, interpretada por Natalie Portman, é uma mentirosa compulsiva. Espontânea e encantadora, ela é o oposto do rapaz travado e recluso que Andrew se tornou. No meio daqueles amigos loucos com vidas estranhas, Sam é a garota nada usual, que tem um cemitério particular com seus bichinhos de estimação desde a infância e faz caretas em seu quarto para se sentir menos ordinária. Ela vai ajudar Andrew a encarar a realidade.

Em apenas quatro dias, eles vivem essa relação de forma intensa e se permitem redescobrir quem realmente são, com todos os seus medos e desejos. Hora de voltar é uma chance de recomeço, uma promessa, uma linda história de como alguém pode encontrar a felicidade partindo do pior que já se viveu. Apesar de ser ‘a superação’ de uma vida, não chamaria o filme de comum, e é por isso que ele merece um parecer por aqui. A sua trilha musical é incrivelmente linda, daquelas que se apaixona e carrega no dispositivo móvel aonde quer que se vá.

Garden state é aquele filme que você vai indicar pra todos os seus amigos. Alguns vão sentir felicidade, outros irão chorar, só podemos dizer que todos vão torcer por esse anti-herói cheio de carisma, de um jeito muito particular. Ao terminar de assistir o filme, você só vai estar com uma coisa na cabeça: The shins, e é por isso que a dica musical não poderia ser outra. Agarre umas frutas gostosas e seja feliz.

And if you took to me

Like a gull takes to the wind,Well, I’d’ve jumped from my tree

And I’d’ve danced like the king of the eyesores

And the rest of our lives would’ve fared well 

The Shins - New Slang

Por Lívia Vasconcelos

3 years ago
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After that it got pretty late, and we both had to go, but it was great seeing Annie again. I… I realized what a terrific person she was, and… and how much fun it was just knowing her; and I… I, I thought of that old joke, y’know, the, this… this guy goes to a psychiatrist and says, “Doc, uh, my brother’s crazy; he thinks he’s a chicken.” And, uh, the doctor says, “Well, why don’t you turn him in?” The guy says, “I would, but I need the eggs.” Well, I guess that’s pretty much now how I feel about relationships; y’know, they’re totally irrational, and crazy, and absurd, and… but, uh, I guess we keep goin’ through it because, uh, most of us… need the eggs.

Woody Allen, como Alvy, em Annie Hall, sobre relacionamentos amorosos.

3 years ago
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Em Alta Fidelidade (2000), John Cusack interpreta Rob, dono de uma loja de discos praticamente falida. Além do péssimo tino para os negócios, Rob é azaradíssimo também no amor. Ele faz top 5 para tudo: cinco músicas pra fazer amor, cinco músicas pra morrer, cinco profissões que gostaria de ter. 
Além de tudo, ainda é uma enciclopédia ambulante da cultura pop, e esse é o grande barato do filme. Talvez o motivo certeiro para ele ter se tornado um filme cult, mesmo sendo uma comédia romântica. Passamos algumas horas na companhia de Bruce Springsteen, Bob Dylan, Lou Reed, Velvet Underground, Queen, Elvis Costello, Steve Wonder, Marvin Gaye, Aretha Franklin, Freddie Mercury, Burt Bacharach, esses são só alguns nomes. 
No início do filme, Laura (Iben Hjejle), namorada de Rob, está deixando o apartamento deles, mas ele ainda não sabe que é pra morar com outro. No meio de todas as suas listas, sempre seguindo à risca os cinco itens, ele decide fazer um top 5 de suas separações mais dolorosas. Nós conhecemos essas cinco mulheres, e ele busca entender o porquê de seus relacionamentos nunca durarem. 
No final das contas, cada uma das histórias vai desmistificar a personalidade de Rob, as razões do rapaz ser do jeito que é, seu trauma e sua eterna qualificação no hall dos trocados. Quem participa do filme e nunca passa despercebido é Jack Black, interpretando sempre o mesmo cara. O sem noção, com metade das nádegas aparecendo, falando absurdos atrás de absurdos. Grande figura que trabalha na loja de discos falida de Rob. 
Um ponto interessante do filme que, particularmente, nos agrada, é o fato de Rob conversar o tempo inteiro com o espectador. Ele nos conta, como se fossemos um de seus amigos que freqüentam a loja de discos, todo o seu pesar… Somos seus confidentes, e acreditamos que lhe respondemos com alta fidelidade.
Esse filme é pra assistir tomando uma cerveja bem gelada. Acredite que renderá ótimas discussões, muito cuidado para não ficar criando Top 5 de tudo depois de ver o filme, é quase impossível não resistir. Poderíamos destacar 500 milhares de músicas para representar esse filme, mas com o Jack black interpretando Let’s get it on numa cena impagável, é com ela mesmo que fechamos o post.

 
 I’ve been really tryin’, baby Tryin’ to hold back this feelin’ for so long  And if you feel like I feel, baby Then come on, oh come on Let’s get it on, oh baby  Let’s get it on Let’s love, baby  Let’s get it on Sugar, let’s get it on
Jack Black - Let’s get it on
Por Lívia Vasconcelos

Em Alta Fidelidade (2000), John Cusack interpreta Rob, dono de uma loja de discos praticamente falida. Além do péssimo tino para os negócios, Rob é azaradíssimo também no amor. Ele faz top 5 para tudo: cinco músicas pra fazer amor, cinco músicas pra morrer, cinco profissões que gostaria de ter.

Além de tudo, ainda é uma enciclopédia ambulante da cultura pop, e esse é o grande barato do filme. Talvez o motivo certeiro para ele ter se tornado um filme cult, mesmo sendo uma comédia romântica. Passamos algumas horas na companhia de Bruce Springsteen, Bob Dylan, Lou Reed, Velvet Underground, Queen, Elvis Costello, Steve Wonder, Marvin Gaye, Aretha Franklin, Freddie Mercury, Burt Bacharach, esses são só alguns nomes. 

No início do filme, Laura (Iben Hjejle), namorada de Rob, está deixando o apartamento deles, mas ele ainda não sabe que é pra morar com outro. No meio de todas as suas listas, sempre seguindo à risca os cinco itens, ele decide fazer um top 5 de suas separações mais dolorosas. Nós conhecemos essas cinco mulheres, e ele busca entender o porquê de seus relacionamentos nunca durarem.

No final das contas, cada uma das histórias vai desmistificar a personalidade de Rob, as razões do rapaz ser do jeito que é, seu trauma e sua eterna qualificação no hall dos trocados. Quem participa do filme e nunca passa despercebido é Jack Black, interpretando sempre o mesmo cara. O sem noção, com metade das nádegas aparecendo, falando absurdos atrás de absurdos. Grande figura que trabalha na loja de discos falida de Rob. 

Um ponto interessante do filme que, particularmente, nos agrada, é o fato de Rob conversar o tempo inteiro com o espectador. Ele nos conta, como se fossemos um de seus amigos que freqüentam a loja de discos, todo o seu pesar… Somos seus confidentes, e acreditamos que lhe respondemos com alta fidelidade.

Esse filme é pra assistir tomando uma cerveja bem gelada. Acredite que renderá ótimas discussões, muito cuidado para não ficar criando Top 5 de tudo depois de ver o filme, é quase impossível não resistir. Poderíamos destacar 500 milhares de músicas para representar esse filme, mas com o Jack black interpretando Let’s get it on numa cena impagável, é com ela mesmo que fechamos o post.

 I’ve been really tryin’, baby Tryin’ to hold back this feelin’ for so long  And if you feel like I feel, baby Then come on, oh come on Let’s get it on, oh baby  Let’s get it on Let’s love, baby  Let’s get it on Sugar, let’s get it on
Jack Black - Let’s get it on

Por Lívia Vasconcelos

3 years ago
2 notes | Comment
Minhas mães e meu pai (2010) é, no mínimo, um filme bem diferente.  Não vamos nos prender a classificações de gênero, o filme é bem mais que uma comédia, ou um drama. Como a própria tradução pitoresca do título diz, trata-se de uma família peculiar: Um casal de lésbicas e seus dois filhos já crescidos. Aconteceu que para essa família ter tido a oportunidade de existir, eles contaram com a ajudinha de mais alguém: um doador de esperma. 
Paul (Mark Ruffalo) era jovem e precisava de dinheiro, doou esperma em uma clínica, que acabou gerando dois filhos, Laser (Josh Hutcherson) e Joni (Mia Wasikowska – a Alice de Tim burton). Enquanto essa nova figura entra na vida dessa família, por intermédio dos filhos, estimulados pela vontade de conhecer o pai biológico, o casamento de quase 20 anos de Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore) entra em crise. 
Pra ser sincera, a família não me convenceu muito. O filme foi muito aclamado pela crítica, e a iniciativa de retratar esse assunto é, no mínimo, válida. Normalmente, ninguém pensa em pais gays quando pensam em uma família. São os mesmos problemas de uma família normal, mesmas inseguranças, mesmos desafetos, é só uma configuração diferente.  
 Para um filme diferente, é merecido um bom vinho, numa sexta à noite. Excelente oportunidade de conhecer Joni Mitchell, para quem não conhece. Destaque para a cena do jantar em que Nic começa a se aproximar de Paul, ao perceber que ele é fã de Joni assim como ela, e a linda Annette Bening  canta All I want.


I am on a lonely road and I am traveling traveling, traveling,  traveling Looking for something, what can it be? Oh i hate you some, I  hate you someI love you some I love you when I forget about me
Joni Mitchell - All I Want

Por Lívia Vasconcelos

Minhas mães e meu pai (2010) é, no mínimo, um filme bem diferente.  Não vamos nos prender a classificações de gênero, o filme é bem mais que uma comédia, ou um drama. Como a própria tradução pitoresca do título diz, trata-se de uma família peculiar: Um casal de lésbicas e seus dois filhos já crescidos. Aconteceu que para essa família ter tido a oportunidade de existir, eles contaram com a ajudinha de mais alguém: um doador de esperma.

Paul (Mark Ruffalo) era jovem e precisava de dinheiro, doou esperma em uma clínica, que acabou gerando dois filhos, Laser (Josh Hutcherson) e Joni (Mia Wasikowska – a Alice de Tim burton). Enquanto essa nova figura entra na vida dessa família, por intermédio dos filhos, estimulados pela vontade de conhecer o pai biológico, o casamento de quase 20 anos de Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore) entra em crise.

Pra ser sincera, a família não me convenceu muito. O filme foi muito aclamado pela crítica, e a iniciativa de retratar esse assunto é, no mínimo, válida. Normalmente, ninguém pensa em pais gays quando pensam em uma família. São os mesmos problemas de uma família normal, mesmas inseguranças, mesmos desafetos, é só uma configuração diferente. 

 Para um filme diferente, é merecido um bom vinho, numa sexta à noite. Excelente oportunidade de conhecer Joni Mitchell, para quem não conhece. Destaque para a cena do jantar em que Nic começa a se aproximar de Paul, ao perceber que ele é fã de Joni assim como ela, e a linda Annette Bening  canta All I want.

I am on a lonely road and I am traveling traveling, traveling, traveling Looking for something, what can it be? Oh i hate you some, I hate you someI love you some I love you when I forget about me

Joni Mitchell - All I Want

Por Lívia Vasconcelos

3 years ago
4 notes | Comment
Em 1979, os amantes do cinema se viram diante de uma obra polêmica. O musical Hair apareceu como um filme que deixava escancarado para o mundo temas que pouco eram discutidos, como: a guerra do Vietnã, as drogas, a sociedade hippie, a contracultura, o psicodelismo…
O filme começa quando Claude, um típico americano, sai de sua cidade no interior para se alistar no exército americano. Quando sai do ônibus, ele se depara com um mundo muito maior do que ele conhecia. Encontra Berger e seu grupo de pessoas diferentes, com vontades diferentes, jeitos de se vestir diferentes, com hábitos diferentes. E, ele se permite viver e aprender sobre esse novo mundo. Acaba se apaixonando por Sheila e por conta dessa paixão as mais diversas situações vão acontecer.
Hair era, inicialmente, uma peça de teatro na Broadway e foi transformado em filme por  Milos Forman. Embora o roteiro do filme tenha se baseado no espetáculo musical, as duas versões são muito diferentes; no enredo, na ordem das músicas e na maneira que os personagens são apresentados. A sequência de cenas e a construção da relação música-história fazem de Hair um clássico, que nunca parou de ser remontado (no teatro). No Brasil, o filme foi censurado na época de seu lançamento.
 Este filme te deixa com o coração inquieto e com vontade de discutir sobre história e sobre como as coisas aconteceram no mundo pós-guerra. Vale a pena assistir enquanto se toma um copo super gelado de suco de laranja. E, sair cantando desse filme não vai ser muito difícil. Algumas canções desse filme, tornaram-se ícones culturais, como Let the Sunshine In. Mas o destaque vai para Aquarius.



This is the dawning of the age of AquariusThe age of AquariusAquarius!Aquarius!

Por: Sarah Mendes

Em 1979, os amantes do cinema se viram diante de uma obra polêmica. O musical Hair apareceu como um filme que deixava escancarado para o mundo temas que pouco eram discutidos, como: a guerra do Vietnã, as drogas, a sociedade hippie, a contracultura, o psicodelismo

O filme começa quando Claude, um típico americano, sai de sua cidade no interior para se alistar no exército americano. Quando sai do ônibus, ele se depara com um mundo muito maior do que ele conhecia. Encontra Berger e seu grupo de pessoas diferentes, com vontades diferentes, jeitos de se vestir diferentes, com hábitos diferentes. E, ele se permite viver e aprender sobre esse novo mundo. Acaba se apaixonando por Sheila e por conta dessa paixão as mais diversas situações vão acontecer.

Hair era, inicialmente, uma peça de teatro na Broadway e foi transformado em filme por  Milos Forman. Embora o roteiro do filme tenha se baseado no espetáculo musical, as duas versões são muito diferentes; no enredo, na ordem das músicas e na maneira que os personagens são apresentados. A sequência de cenas e a construção da relação música-história fazem de Hair um clássico, que nunca parou de ser remontado (no teatro). No Brasil, o filme foi censurado na época de seu lançamento.

 Este filme te deixa com o coração inquieto e com vontade de discutir sobre história e sobre como as coisas aconteceram no mundo pós-guerra. Vale a pena assistir enquanto se toma um copo super gelado de suco de laranja. E, sair cantando desse filme não vai ser muito difícil. Algumas canções desse filme, tornaram-se ícones culturais, como Let the Sunshine In. Mas o destaque vai para Aquarius.

This is the dawning of the age of AquariusThe age of AquariusAquarius!Aquarius!

Por: Sarah Mendes

3 years ago
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“Quando eu conheci Candy, eram dias cheios de vida, quando tudo era abundante, as aves preenchiam o céu. Uma grande bondade fluía através de nós” 
Candy (2006), filme Australiano dirigido por Neil Armfield, é um exemplo de amor destrutivo… junte paixão a um vício que os une e, por conseqüência, os separa de todo o resto. Dan (Heath Ledger) é um jovem e atraente poeta que se apaixona por Candy (Abbie Cornish). Ela é uma estudante e pintora promissora de boa família. Jovens e talentosos, ambos são seduzidos por sensações experimentadas pela doce armadilha da heroína.
Separado em três atos - Céu, Terra e Inferno -, o filme retrata o período de transformação na vida deles e de todos ao seu redor. Em ordem cronológica, a primeira parte representa o vigor das novas escolhas do casal, a facilidade e delícia de estarem constantemente hipnotizados pelo prazer proporcionado pelo entorpecente. Sexo, dinheiro e liberdade. Casper, interpretado por Geoffrey Rush – o amigo do Rei que rouba a cena em Discurso do Rei -, é um amigo e professor universitário. Ele está sempre por perto do casal, também usuário, algumas vezes banca o vício dos três.
Na fase intermediária intitulada Terra, as coisas estão bem diferentes. Agora casados, ambos lidam com o que há de corrosivo em um vício. Candy se torna prostituta para comprar drogas. Ela fica grávida e apesar de aparente desgaste, os dois tentam de tudo para ficarem ‘limpos’. Juntos, eles enfrentam em um apartamento sujo e minimalista os calafrios e horrores da abstinência.
Em seu terceiro ato, o Inferno, fica bem claro que aquilo que um dia os uniu, está prestes a os separar. Morando agora no campo, longe da agitação da cidade, e supostamente do vício, presenciamos a dissolução de uma relação que um dia se mostrou tão necessária e envolvente. Após um colapso nervoso, Candy é internada por sua família em uma clínica, e Dan segue sua vida, principalmente depois de ser forçado a avaliar a situação em que vivia há muitos anos.
Recuperados e limpos, eles terão seu reencontro. O que eles conversarão? Teria o amor, enfim,acabado? Havia uma ligação entre eles que não precisasse de um montante de heroína para que fosse prazerosa e realizada? Você verá, e ainda melhor, entenderá…
Diferente de outros filmes que abordam essa temática, eu sinto que Candy transborda quase uma inocência. Existe um fascínio tão leve por aquela vida diferente dos quartos em cor de rosa e de tudo o que se quer. Existe um amor, que eu julgo ser algo verdadeiro, e infinito. Existe acima de tudo aquilo um respeito, nem que seja em perceber o que um representa para o outro. Nem que seja em tomar as decisões mais difíceis, por um bem maior.
Essa não é mais uma boba história de amor, é algo lindo que deve ser celebrado com boa música. Quando eu penso nesse filme, lembro sempre de Mojo pin, de Jeff Buckley. Pela temática um tanto pesada, aconselharei que você tome um chocolate quente, sobre as cobertas, e aprecie as conseqüências da vida…as coisas mais feias podem ter um propósito maior.

 

I’m lying in my bed
The blanket is warm
This body will never be safe from harm
Still feel your hair, black ribbons of coal
Touch my skin to keep me whole

Jeff Buckley - Mojo Pin
Por: Lívia Vasconcelos

“Quando eu conheci Candy, eram dias cheios de vida, quando tudo era abundante, as aves preenchiam o céu. Uma grande bondade fluía através de nós”

Candy (2006), filme Australiano dirigido por Neil Armfield, é um exemplo de amor destrutivo… junte paixão a um vício que os une e, por conseqüência, os separa de todo o resto. Dan (Heath Ledger) é um jovem e atraente poeta que se apaixona por Candy (Abbie Cornish). Ela é uma estudante e pintora promissora de boa família. Jovens e talentosos, ambos são seduzidos por sensações experimentadas pela doce armadilha da heroína.

Separado em três atos - Céu, Terra e Inferno -, o filme retrata o período de transformação na vida deles e de todos ao seu redor. Em ordem cronológica, a primeira parte representa o vigor das novas escolhas do casal, a facilidade e delícia de estarem constantemente hipnotizados pelo prazer proporcionado pelo entorpecente. Sexo, dinheiro e liberdade. Casper, interpretado por Geoffrey Rush – o amigo do Rei que rouba a cena em Discurso do Rei -, é um amigo e professor universitário. Ele está sempre por perto do casal, também usuário, algumas vezes banca o vício dos três.

Na fase intermediária intitulada Terra, as coisas estão bem diferentes. Agora casados, ambos lidam com o que há de corrosivo em um vício. Candy se torna prostituta para comprar drogas. Ela fica grávida e apesar de aparente desgaste, os dois tentam de tudo para ficarem ‘limpos’. Juntos, eles enfrentam em um apartamento sujo e minimalista os calafrios e horrores da abstinência.

Em seu terceiro ato, o Inferno, fica bem claro que aquilo que um dia os uniu, está prestes a os separar. Morando agora no campo, longe da agitação da cidade, e supostamente do vício, presenciamos a dissolução de uma relação que um dia se mostrou tão necessária e envolvente. Após um colapso nervoso, Candy é internada por sua família em uma clínica, e Dan segue sua vida, principalmente depois de ser forçado a avaliar a situação em que vivia há muitos anos.

Recuperados e limpos, eles terão seu reencontro. O que eles conversarão? Teria o amor, enfim,acabado? Havia uma ligação entre eles que não precisasse de um montante de heroína para que fosse prazerosa e realizada? Você verá, e ainda melhor, entenderá…

Diferente de outros filmes que abordam essa temática, eu sinto que Candy transborda quase uma inocência. Existe um fascínio tão leve por aquela vida diferente dos quartos em cor de rosa e de tudo o que se quer. Existe um amor, que eu julgo ser algo verdadeiro, e infinito. Existe acima de tudo aquilo um respeito, nem que seja em perceber o que um representa para o outro. Nem que seja em tomar as decisões mais difíceis, por um bem maior.

Essa não é mais uma boba história de amor, é algo lindo que deve ser celebrado com boa música. Quando eu penso nesse filme, lembro sempre de Mojo pin, de Jeff Buckley. Pela temática um tanto pesada, aconselharei que você tome um chocolate quente, sobre as cobertas, e aprecie as conseqüências da vida…as coisas mais feias podem ter um propósito maior.

 

I’m lying in my bed

The blanket is warm

This body will never be safe from harm

Still feel your hair, black ribbons of coal

Touch my skin to keep me whole

Jeff Buckley - Mojo Pin

Por: Lívia Vasconcelos

3 years ago
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Trecho de 'Elizabethtown'

Claire:Just tell me you love me and get it over with.
Drew:Claire, I'm just going to say this because you deserve it. It's not easy for me, but here goes.Four days ago...I lost a major American shoe company...Frankly, you could round it off to one billion dollars! And by tomorrow afternoon, everyone will know.Something's gonna be published that pinpoints me as the most...spectacular failure in the history of my profession...which is all I know how to do.And I've been here this whole time trying to be responsible and charming...and live up to this success...that doesn't exist.All I really want...is to not be here.I'm sorry.I have a very dark appointment with destiny. That's my secret. That's who I am.
Claire:That's it?
Dew:Yes, that's it.
Claire:I'm sorry. I'm sorry.I guess I just thought a small part of you might be a small bit sad to see me go. But I guess this is all mostly about a shoe.
Dew:Of course, I'm sad about you. But this is just a little bit bigger than you and me!And by the way, I didn't say million. I said billion!
Claire:A billion dollars! That's a lot of million! So, you failed.
Drew:No, you don't get it.
Claire:All right, you really failed.You failed, you failed, you failed.You failed, you failed, you...You think I care about that? I do understand. You're an artist, man.Your job is to break through barriers. Not accept blame and bow and say - "Thank you, I'm a loser, I'll go away now." "Phil's mean to me..." So what?
Drew:I don't cry.
Claire:You want to be really great?Then have the courage to fail big and stick around.Make them wonder why you're still smiling.That's true greatness to me.But...don't listen to me, I'm a Claire.
3 years ago
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Existem alguns filmes em que não importa a quantidade de vezes que você os assista, sempre perceberá alguma coisa nova, ou finalmente entenderá aquela passagem que te deixava em dúvida. Eternal Sunshine of the spotless mind, ou Brilho Eterno de uma mente sem lembranças (2004), de Charlie Kaufman, é exatamente assim. Imagine o filme como um labirinto em constante movimento. De repente, você não está mais onde achava estar, e recomeça todo um processo de reconhecimento da narrativa. Acredite, isso vai te prender à história de Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet).  
Conhecido como um ator de comédias, esse não é o primeiro trabalho dramático de Jim Carrey, mas merece destaque. Ele consegue, com louvor, desvincular sua imagem de personagens como Ace Ventura e O Mentiroso. Joel inicia o filme de forma um tanto miserável, deprimido, um pouco desorientado. Vazio e desconforto são tudo o que a narrativa do homem apático nos deixa perceber. No caminho para o trabalho, na estação de trem, um pensamento incontrolável invade a cabeça dele: ‘Montauk… ’
É o destino de Joel naquela manhã cinzenta. Lá, ele cruza seu caminho com a excêntrica Clementine. De personalidade forte e invasiva, a mulher de humor instável, gostos duvidosos e cabelos coloridos regularmente em tonalidades nada convencionais, tem uma estranha ligação com Joel. Nem eles sabem explicar ao certo a estranha sensação que um exerce no outro. Ao chegar à estação, ele a oferece carona, acaba subindo em seu apartamento e os dois trocam telefone. 
Os dois estão se apaixonando. Agora, nos resta o óbvio: o período de encantamento cede lugar ao conhecimento íntimo. Pouco a pouco, o desgaste e os problemas de uma relação entre duas pessoas tão diferentes mostra sua real face: o desastre. Até que um dia, Clementine age de forma diferente. Depois de uma briga feia, ela passa a ignorar Joel. Ele vai até a livraria/biblioteca que Clem trabalha e fica confuso com o tratamento frio da ex namorada.
Ao desabafar com um casal de amigos, ele descobre na casa deles um cartão da empresa Lacuna Inc.  No cartão dizia algo como: ‘Clementine apagou Joel de sua mamória, por favor, não comentem mais sobre ele com ela’. Como seria possível apagar alguém da memória, pior ainda, como ela teria tido a coragem de fazer isso com ele?   Desolado, ele vai até o endereço da empresa escrito no cartão e exige: Quero fazer o mesmo que ela.
A aparência do consultório é de um freak show: engenhocas captadoras de memórias, rastreadores do cérebro, equipamentos futurísticos. Feito o processo inicial, Joel começa o de desligamento de Clementine de sua memória afetiva. A partir daí, iniciamos uma viagem pelo cérebro de Joel, pelas recordações, por tudo o que ele viveu com Clem. Kirsten Dunst e Mark Ruffalo são os ‘Técnicos’ que vão até a casa de Joel para terminarem o que foi iniciado no consultório. 
No meio de tudo, ao reviver sua memória e se dar conta de tudo o que está fazendo, Joel se arrepende, mas ele está inconsciente, não pode pedir que parem. De dentro de sua própria mente, ele e clem passam a se esconder das engenhocas do Médico que o apagou de Clem… Cenas engraçadas e lindas. Montauk com seu lago de gelo, o tempo passado na cama, a intimidade trocada. Tudo começa a sumir. Joel tenta esconder a amada em lugares onde ela nunca esteve… Em sua humilhação, em sua infância.
Depois de tudo feito, processo concluído, percebemos que o início do filme era, na verdade, aquele ponto pós-apagamento. Quer dizer então que Joel apagou essa mulher e, ainda assim, se apaixonou por ela novamente, no dia seguinte?  Estaríamos todos fadados a viver e sofrer as coisas, independente de artimanhas capazes de facilitar nossa vida?  
Por um motivo que vocês só entenderão se assistirem ao filme, Clem e Joel recebem suas fitas de inscrição no projeto da Lacuna Inc. Nelas, eles dizem tudo de ruim que pensam do outro e informam o motivo de estarem exterminando um ao outro de suas mentes. Não é preciso dizer que esse acontecimento rende muita confusão entre o ex recém casal, mas eu diria que é tudo por uma boa causa.
Lógico que não é possível apagar alguém da nossa memória, mesmo sendo o que tanto queremos após uma desilusão amorosa.  Mas acho que o filme diz mais, diz que isso é irrelevante… diz que tudo vale a pena. Se Joel e Clementine passassem a vida inteira começando um relacionamento e apagando suas memórias, eles estariam vivendo em ciclos, pois eles estariam sempre se interessando por aquela primeiridade. Não haveria o choque, muito menos a tentativa de sobrevivência diante daquele choque, para que as coisas pudessem existir com o mínimo de possibilidade. 
Uma das histórias de amor mais tortas da história do cinema, ainda assim, Brilho Eterno é uma das mais lindas, justamente por ter uma abordagem tão real, onde aqueles personagens percebem que são incrivelmente problemáticos, e já se odiaram tanto, mas há uma chance disposta ao amor ali… Afinal, a vida é muito mais do que esquecer.
Sabe o maior pote de sorvete do mundo, o pote de sorvete mais lindo da cidade? Agarre-se a ele e não solte nunca mais pelos próximos 108 minutos que durarem o filme. Chocolate, de preferência. A versão de Beck pra música ‘Everybody’s gotta learn sometime’ é a trilha oficial do filme, um não existe sem o outro. É linda, e tem exatamente a mensagem do filme.
 
 

Change your heart
Look around you
Change your heart
Will astound you
I need your lovin’
Like the sunshine            ♫♫♫    
Beck - Everybody’s gotta learn sometime           

Por Lívia Vasconcelos

Existem alguns filmes em que não importa a quantidade de vezes que você os assista, sempre perceberá alguma coisa nova, ou finalmente entenderá aquela passagem que te deixava em dúvida. Eternal Sunshine of the spotless mind, ou Brilho Eterno de uma mente sem lembranças (2004), de Charlie Kaufman, é exatamente assim. Imagine o filme como um labirinto em constante movimento. De repente, você não está mais onde achava estar, e recomeça todo um processo de reconhecimento da narrativa. Acredite, isso vai te prender à história de Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet). 

Conhecido como um ator de comédias, esse não é o primeiro trabalho dramático de Jim Carrey, mas merece destaque. Ele consegue, com louvor, desvincular sua imagem de personagens como Ace Ventura e O Mentiroso. Joel inicia o filme de forma um tanto miserável, deprimido, um pouco desorientado. Vazio e desconforto são tudo o que a narrativa do homem apático nos deixa perceber. No caminho para o trabalho, na estação de trem, um pensamento incontrolável invade a cabeça dele: ‘Montauk… ’

É o destino de Joel naquela manhã cinzenta. Lá, ele cruza seu caminho com a excêntrica Clementine. De personalidade forte e invasiva, a mulher de humor instável, gostos duvidosos e cabelos coloridos regularmente em tonalidades nada convencionais, tem uma estranha ligação com Joel. Nem eles sabem explicar ao certo a estranha sensação que um exerce no outro. Ao chegar à estação, ele a oferece carona, acaba subindo em seu apartamento e os dois trocam telefone.

Os dois estão se apaixonando. Agora, nos resta o óbvio: o período de encantamento cede lugar ao conhecimento íntimo. Pouco a pouco, o desgaste e os problemas de uma relação entre duas pessoas tão diferentes mostra sua real face: o desastre. Até que um dia, Clementine age de forma diferente. Depois de uma briga feia, ela passa a ignorar Joel. Ele vai até a livraria/biblioteca que Clem trabalha e fica confuso com o tratamento frio da ex namorada.

Ao desabafar com um casal de amigos, ele descobre na casa deles um cartão da empresa Lacuna Inc.  No cartão dizia algo como: ‘Clementine apagou Joel de sua mamória, por favor, não comentem mais sobre ele com ela’. Como seria possível apagar alguém da memória, pior ainda, como ela teria tido a coragem de fazer isso com ele?   Desolado, ele vai até o endereço da empresa escrito no cartão e exige: Quero fazer o mesmo que ela.

A aparência do consultório é de um freak show: engenhocas captadoras de memórias, rastreadores do cérebro, equipamentos futurísticos. Feito o processo inicial, Joel começa o de desligamento de Clementine de sua memória afetiva. A partir daí, iniciamos uma viagem pelo cérebro de Joel, pelas recordações, por tudo o que ele viveu com Clem. Kirsten Dunst e Mark Ruffalo são os ‘Técnicos’ que vão até a casa de Joel para terminarem o que foi iniciado no consultório.

No meio de tudo, ao reviver sua memória e se dar conta de tudo o que está fazendo, Joel se arrepende, mas ele está inconsciente, não pode pedir que parem. De dentro de sua própria mente, ele e clem passam a se esconder das engenhocas do Médico que o apagou de Clem… Cenas engraçadas e lindas. Montauk com seu lago de gelo, o tempo passado na cama, a intimidade trocada. Tudo começa a sumir. Joel tenta esconder a amada em lugares onde ela nunca esteve… Em sua humilhação, em sua infância.

Depois de tudo feito, processo concluído, percebemos que o início do filme era, na verdade, aquele ponto pós-apagamento. Quer dizer então que Joel apagou essa mulher e, ainda assim, se apaixonou por ela novamente, no dia seguinte?  Estaríamos todos fadados a viver e sofrer as coisas, independente de artimanhas capazes de facilitar nossa vida? 

Por um motivo que vocês só entenderão se assistirem ao filme, Clem e Joel recebem suas fitas de inscrição no projeto da Lacuna Inc. Nelas, eles dizem tudo de ruim que pensam do outro e informam o motivo de estarem exterminando um ao outro de suas mentes. Não é preciso dizer que esse acontecimento rende muita confusão entre o ex recém casal, mas eu diria que é tudo por uma boa causa.

Lógico que não é possível apagar alguém da nossa memória, mesmo sendo o que tanto queremos após uma desilusão amorosa.  Mas acho que o filme diz mais, diz que isso é irrelevante… diz que tudo vale a pena. Se Joel e Clementine passassem a vida inteira começando um relacionamento e apagando suas memórias, eles estariam vivendo em ciclos, pois eles estariam sempre se interessando por aquela primeiridade. Não haveria o choque, muito menos a tentativa de sobrevivência diante daquele choque, para que as coisas pudessem existir com o mínimo de possibilidade.

Uma das histórias de amor mais tortas da história do cinema, ainda assim, Brilho Eterno é uma das mais lindas, justamente por ter uma abordagem tão real, onde aqueles personagens percebem que são incrivelmente problemáticos, e já se odiaram tanto, mas há uma chance disposta ao amor ali… Afinal, a vida é muito mais do que esquecer.

Sabe o maior pote de sorvete do mundo, o pote de sorvete mais lindo da cidade? Agarre-se a ele e não solte nunca mais pelos próximos 108 minutos que durarem o filme. Chocolate, de preferência. A versão de Beck pra música ‘Everybody’s gotta learn sometime’ é a trilha oficial do filme, um não existe sem o outro. É linda, e tem exatamente a mensagem do filme.

 

 

Change your heart

Look around you

Change your heart

Will astound you

I need your lovin’

Like the sunshine            ♫♫♫    

Beck - Everybody’s gotta learn sometime           

Por Lívia Vasconcelos

3 years ago
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É preciso ter muita calma ao falar de ‘Quase Famosos’ (Almost famous, 2000). Se você gosta, minimamente, de rock and roll, esse é um filme que vai te agradar. Se você tem algum envolvimento com jornalismo e gosta de rock and roll, prepare-se para se apaixonar. Cameron Crowe nos apresenta William Miller (Patrick Fugit), seu alter ego. Praticamente um filme autobiográfico, o roteiro se baseia nas experiências que o diretor teve no início dos anos 70.
Filho de uma professora universitária, solteira, mãe de dois filhos, interpretada por Frances McDormand, William nunca foi uma criança comum. Desde muito cedo, lidava com conversas e com um ambiente que não era propriamente o das crianças da sua idade. Quando sua irmã mais velha vai embora de casa, ela deixa para William sua herança, uma mala repleta de vinis, e avisa: ‘Escute Tommy com uma vela acesa e você verá todo o seu futuro’. Por algum motivo, a mãe do rapaz era contra os discos de rock dentro de casa, por isso havia todo um ritual envolvendo aquele momento. A irmã mais velha passando a liberdade que a música a proporcionou ao irmão mais novo.
‘Quase famosos’ tem a sua essência na música, mas não é meramente um filme sobre rock, muito pelo contrário. O filme trata de amizade, de crescimento, de amor, novas descobertas e escolhas. Como plano de fundo, a cena de rock do início dos anos 70 e o jornalismo musical. 
Sem saber da sua real idade, a revista Rolling Stone o contrata como colaborador, e William sugere escrever sobre uma banda nova, a Stillwater, que está em busca do estrelato. A Stillwater é uma banda fictícia criada por Crowe, digamos que é uma banda que encarna várias outras, meio que mescla todas as bandas que o diretor acompanhou na sua adolescência.  
Durante esse período, o rapaz tem a oportunidade de viver experiências completamente distintas de sua vida em casa. Na turnê, ele conhece Penny Lane (Kate Hudson), pseudônimo de uma das groupies que acompanham o Stillwater, por quem se apaixona. Mais velha e experiente, Penny é um divisor de águas nessa etapa da vida desse menino, que vai descobrir que no mundo adulto, imparcialidade pode acabar com amizades, e corações são partidos, não importando muito o que se faça.
‘Quase famosos’ é um filme muito gostoso de assistir, com uma trilha musical invejável, um enredo cativante e leve. É um ótimo programa para aquele domingo livre. Sabe com o que mais combina? Sim, sanduiche e batata frita.  Eu adoraria citar várias outras músicas, mas é inegável, ao pensar nesse filme, a primeira coisa que pensamos é Elton John e a linda cena da turnê em que todos cantam Tiny dancer, no ônibus…
 

“Penny, I have to go home”
“…but you are home”

 
Por Lívia Vasconcelos

É preciso ter muita calma ao falar de Quase Famosos’ (Almost famous, 2000). Se você gosta, minimamente, de rock and roll, esse é um filme que vai te agradar. Se você tem algum envolvimento com jornalismo e gosta de rock and roll, prepare-se para se apaixonar. Cameron Crowe nos apresenta William Miller (Patrick Fugit), seu alter ego. Praticamente um filme autobiográfico, o roteiro se baseia nas experiências que o diretor teve no início dos anos 70.

Filho de uma professora universitária, solteira, mãe de dois filhos, interpretada por Frances McDormand, William nunca foi uma criança comum. Desde muito cedo, lidava com conversas e com um ambiente que não era propriamente o das crianças da sua idade. Quando sua irmã mais velha vai embora de casa, ela deixa para William sua herança, uma mala repleta de vinis, e avisa: ‘Escute Tommy com uma vela acesa e você verá todo o seu futuro’. Por algum motivo, a mãe do rapaz era contra os discos de rock dentro de casa, por isso havia todo um ritual envolvendo aquele momento. A irmã mais velha passando a liberdade que a música a proporcionou ao irmão mais novo.

‘Quase famosos’ tem a sua essência na música, mas não é meramente um filme sobre rock, muito pelo contrário. O filme trata de amizade, de crescimento, de amor, novas descobertas e escolhas. Como plano de fundo, a cena de rock do início dos anos 70 e o jornalismo musical.

Sem saber da sua real idade, a revista Rolling Stone o contrata como colaborador, e William sugere escrever sobre uma banda nova, a Stillwater, que está em busca do estrelato. A Stillwater é uma banda fictícia criada por Crowe, digamos que é uma banda que encarna várias outras, meio que mescla todas as bandas que o diretor acompanhou na sua adolescência.  

Durante esse período, o rapaz tem a oportunidade de viver experiências completamente distintas de sua vida em casa. Na turnê, ele conhece Penny Lane (Kate Hudson), pseudônimo de uma das groupies que acompanham o Stillwater, por quem se apaixona. Mais velha e experiente, Penny é um divisor de águas nessa etapa da vida desse menino, que vai descobrir que no mundo adulto, imparcialidade pode acabar com amizades, e corações são partidos, não importando muito o que se faça.

‘Quase famosos’ é um filme muito gostoso de assistir, com uma trilha musical invejável, um enredo cativante e leve. É um ótimo programa para aquele domingo livre. Sabe com o que mais combina? Sim, sanduiche e batata frita.  Eu adoraria citar várias outras músicas, mas é inegável, ao pensar nesse filme, a primeira coisa que pensamos é Elton John e a linda cena da turnê em que todos cantam Tiny dancer, no ônibus…

 

“Penny, I have to go home”

“…but you are home

 

Por Lívia Vasconcelos

3 years ago
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Woody Allen é conhecido pela sua acidez, pelo uso de seu alter ego em seus últimos filmes, e pelas suas parcerias. Ao que parece, esse homem pequeno e cheio de poder no universo Cult dos últimos muitos anos firma parcerias e as repete o quanto achar necessário. Nos anos 70, a musa do diretor era Diane Keaton, atriz que ele teve também um envolvimento amoroso fora das telas.
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977) é um dos muitos filmes estrelado pelos dois. Woody é Alvy Singer, um humorista judeu e divorciado que faz análise há nada menos que quinze anos. Diane é a própria Annie Hall, uma cantora em início de carreira, e com a cabeça um pouco complicada. Até hoje, essa personagem é uma referência na moda. Na época, as vestimentas de Annie quebraram vários padrões. A moça vestia coletes, usava calça e por vezes gravatas e suspensórios. Era uma nova mulher, que se vestia como queria, era independente.
Basicamente retratando o início de um relacionamento, o desenrolar dele e o seu fim, o filme tem a marca registrada de típicos filmes de Woody. O ponto de vista de toda a relação é de Alvy, ele conversa com o espectador, relata suas angústias em relação à Annie, tenta entender o que deu errado naquela relação que ele passa a julgar um tanto promissora, depois de seu fim. Incapaz de ser julgado como uma criatura normal, Alvy é exatamente o que diz o título: Neurótico. 
Os filmes do diretor são sempre cheios das ironias, alfinetadas ao comportamento humano e situações do cotidiano, o que não quer dizer que a discussão não seja válida. No casso de Annie Hall, aquela era uma realidade da época. Casais descolados, usuários de substâncias ilícitas em festas consideradas ‘cool’, eternas e profundas discussões de relação, a análise como forma de conhecimento íntimo. Tudo aquilo é retrato de uma geração que se faz presente de uma forma pessimista, mas engraçada nesse marco do cinema.
Difícil escolher algum destaque desse filme, porque ele merece toda a atenção nas mínimas cenas, mas a conclusão sobre relacionamentos e o que é o amor, é incrível. Diríamos que vindo de um noivo neurótico, até que foi uma constatação bem sensata. 
Espere, veja bem…esse é um filme para ser apreciado com o devido valor. Sente na frente da tv, tome um café, se você gostar, fume até um cigarro, se for de seu agrado.  Mas preste atenção, e se prepare para a diversão, a comédia aqui é inteligente.  
    
Annie Hall praticamente não tem trilha sonora, fica aqui uma das poucas músicas da trilha, versão de Diane Keaton Annie Hall, que é uma cantora iniciante (lembram?), para It had to be you, de Rod stewart.

It had to be you, it had to be youI wandered around, and finally found the somebody whoCould make me be true, could make me be blueAnd even be glad, just to be sad thinking of you
It had to be you - Rod Stewart

Por Lívia Vasconcelos

Woody Allen é conhecido pela sua acidez, pelo uso de seu alter ego em seus últimos filmes, e pelas suas parcerias. Ao que parece, esse homem pequeno e cheio de poder no universo Cult dos últimos muitos anos firma parcerias e as repete o quanto achar necessário. Nos anos 70, a musa do diretor era Diane Keaton, atriz que ele teve também um envolvimento amoroso fora das telas.

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977) é um dos muitos filmes estrelado pelos dois. Woody é Alvy Singer, um humorista judeu e divorciado que faz análise há nada menos que quinze anos. Diane é a própria Annie Hall, uma cantora em início de carreira, e com a cabeça um pouco complicada. Até hoje, essa personagem é uma referência na moda. Na época, as vestimentas de Annie quebraram vários padrões. A moça vestia coletes, usava calça e por vezes gravatas e suspensórios. Era uma nova mulher, que se vestia como queria, era independente.

Basicamente retratando o início de um relacionamento, o desenrolar dele e o seu fim, o filme tem a marca registrada de típicos filmes de Woody. O ponto de vista de toda a relação é de Alvy, ele conversa com o espectador, relata suas angústias em relação à Annie, tenta entender o que deu errado naquela relação que ele passa a julgar um tanto promissora, depois de seu fim. Incapaz de ser julgado como uma criatura normal, Alvy é exatamente o que diz o título: Neurótico.

Os filmes do diretor são sempre cheios das ironias, alfinetadas ao comportamento humano e situações do cotidiano, o que não quer dizer que a discussão não seja válida. No casso de Annie Hall, aquela era uma realidade da época. Casais descolados, usuários de substâncias ilícitas em festas consideradas ‘cool’, eternas e profundas discussões de relação, a análise como forma de conhecimento íntimo. Tudo aquilo é retrato de uma geração que se faz presente de uma forma pessimista, mas engraçada nesse marco do cinema.

Difícil escolher algum destaque desse filme, porque ele merece toda a atenção nas mínimas cenas, mas a conclusão sobre relacionamentos e o que é o amor, é incrível. Diríamos que vindo de um noivo neurótico, até que foi uma constatação bem sensata. 

Espere, veja bem…esse é um filme para ser apreciado com o devido valor. Sente na frente da tv, tome um café, se você gostar, fume até um cigarro, se for de seu agrado.  Mas preste atenção, e se prepare para a diversão, a comédia aqui é inteligente.  

    

Annie Hall praticamente não tem trilha sonora, fica aqui uma das poucas músicas da trilha, versão de Diane Keaton Annie Hall, que é uma cantora iniciante (lembram?), para It had to be you, de Rod stewart.

It had to be you, it had to be you
I wandered around, and finally found the somebody who
Could make me be true, could make me be blue
And even be glad, just to be sad thinking of you

It had to be you - Rod Stewart

Por Lívia Vasconcelos

3 years ago
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Sabe aqueles filmes que você assiste e tem vontade de sair por aí cantando e falando para todo mundo como é bom? Pois bem, Eu, meu irmão e nossa namorada é esse tipo de filme. Longe do que o título em português possa sugerir, essa longa-metragem fala de como nunca é tarde para amar e para encontrar alguém que combine com você. 
Steve Carell está fantástico como o pai viúvo que reluta em aceitar que as filhas estão crescendo. Quando Dan (Carrel) se sente novamente encantado por uma mulher e começa a perceber como é bom viver, descobre que ela já tem um relacionamento… com seu irmão. Como esses sentimentos se organizarão e como essas pessoas continuarão suas vidas é o que há de mais encantador nessa obra de Pierce Gardner ePeter Hedges.
Pegue uma bandeja de sonhos (de todos os sabores), refrigerante, deite no sofá da sua casa e chame todo mundo para assistir a esse filme com você. E, não se assuste se você sair cantarolando “let my Love open the dooooooooooooor”, é perfeitamente normal.
 Foto de: Vitor Hugo
Let my love open the door Let my love open the door Let my love open the door To your heart
Pete Townshend - Let My Love Open The Door
Por Sarah Mendes

Sabe aqueles filmes que você assiste e tem vontade de sair por aí cantando e falando para todo mundo como é bom? Pois bem, Eu, meu irmão e nossa namorada é esse tipo de filme. Longe do que o título em português possa sugerir, essa longa-metragem fala de como nunca é tarde para amar e para encontrar alguém que combine com você. 

Steve Carell está fantástico como o pai viúvo que reluta em aceitar que as filhas estão crescendo. Quando Dan (Carrel) se sente novamente encantado por uma mulher e começa a perceber como é bom viver, descobre que ela já tem um relacionamento… com seu irmão. Como esses sentimentos se organizarão e como essas pessoas continuarão suas vidas é o que há de mais encantador nessa obra de Pierce Gardner ePeter Hedges.

Pegue uma bandeja de sonhos (de todos os sabores), refrigerante, deite no sofá da sua casa e chame todo mundo para assistir a esse filme com você. E, não se assuste se você sair cantarolando “let my Love open the dooooooooooooor”, é perfeitamente normal.

 Foto de: Vitor Hugo

Let my love open the door Let my love open the door Let my love open the door To your heart
Pete Townshend - Let My Love Open The Door

Por Sarah Mendes


3 years ago
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